quinta-feira, 4 de novembro de 2010

‘O Planeta Lilás’, de Ziraldo, é destaque no Sesi
Francine Moreno
São José do Rio Preto, 5 de Junho, 2010


Em sua exploração pelo ‘espaço’, personagem vai percebendo que cada letra é uma estrela, e que juntas elas formam uma ‘constelação’ de palavras no livro
A literatura infantil “O Planeta Lilás”, do cartunista, escritor e jornalista Ziraldo, depois de inovar a maneira tradicional de contar histórias por meio da imaginação, ganha peso agora no teatro com o espetáculo da Zezé Produções, do Rio de Janeiro. A apresentação, gratuita, está marcada para hoje e amanhã, às 16 horas, no teatro do Sesi. O texto gira em torno de um bichinho solitário cansado de viver em um planeta de uma única cor, a lilás. A adaptação, dirigida por Carlos Arruda, aborda temas como a valorização da leitura de forma lúdica, a curiosidade e as descobertas. O espetáculo é válido pelo Circuito Viagem Teatral do Sesi - pelo qual está programada a vinda de mais 11 montagens de grupos profissionais de todo o País. Na peça, o bichinho solitário cansado de viver no seu planeta, onde tudo é lilás, resolve construir um foguete e conhecer o universo. Nessa viagem, vai descobrindo outros planetas e conhecendo seus habitantes: o Branco, o Preto, as Cores, a Ideia, as Letras, o Ponto Final. O bichinho percebe que cada letra é uma estrela e que juntando as letras forma a palavra, uma constelação. Só então descobre que o universo por onde ele viajou era um livro. E que o seu planeta lilás não era bem um planeta e sim uma flor, uma violeta que estava guardada dentro do livro. A ideia de Zezé Fassina, fundadora da companhia, é que quem for assistir à peça se divirta com as descobertas da simpática protagonista. “A peça é para divertir”. É recomendado para um público maior de seis anos, mas menores que isso também podem assistir. “Crianças com seis anos compreendem melhor a história, no entanto, como o bichinho fica em cena e a cada sete minutos entra um personagem novo, isso prende a atenção de meninos e meninas de três e quatro anos”, diz Zezé. O espetáculo, de 50 minutos de duração, auxilia as crianças a enxergar melhor as questões pertinentes à fase pela qual estão passando. Montado pela primeira vez em 1981 pela companhia, “O Planeta Lilás” já teve reconhecimento do Prêmio Mambembe daquele ano. Entre os espetáculos abertos ao público e apresentações em escolas, foram cerca de mil sessões ao longo de oito anos. No ano passado, o projeto foi reformulado com apenas dois atores. A atriz Isabel Francisco, indicada como melhor atriz para o Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil de 2009, é o bichinho condutor da história, e Fernando Leme atua nos demais papéis. O cenário ganhou projeções para criar personagens virtuais, como as cores, que contracenam com o elenco. As músicas, de rimas ingênuas, auxiliam no andamento do espetáculo, que também combina humor e emoção. “Para passar ideia de que os personagens estão dentro de um livro, são usadas várias projeções e trabalho de luz”, diz Zezé. Já o figurino acompanha toda a estética do cenário. “Tem um inflável que cria várias formas e cores. As crianças adoram, principalmente as bolhas gigantes”, destaca. Zezé afirma que a adaptação rendeu boas parcerias para a companhia. “Foi a partir desta peça que criamos um vínculo com Ziraldo, que nos deu mais três adaptações para teatro de seus livros”, diz. Para ela, trabalhar com o universo infantil é um grande barato. “Eu e o diretor da peça, Carlos Arruda, trabalhomos exclusivamente com peças infantis há 35 anos. Atravessamos uma época em que o teatro para crianças era apenas um trampolim para os outros.” A atriz analisa as crianças de hoje como um público muito exigente. “Não é como o adulto, que já foi educado para ficar quieto, mesmo se não estiver gostando do espetáculo. Se não for legal, a criança se manifesta, pede para ir no banheiro, fala que está ruim ou vai embora.” Por este motivo, a atriz bate palmas para iniciativas como o Viagem Teatral. “O projeto marca pela descentralização das peças nas grandes capitais. Viajar com esses trabalhos tem muitos custos. Por meio da iniciativa, os grupos podem mostrar os espetáculos criados para os grandes centros com a mesma qualidade, cenário, figurino e elenco no interior”, diz.
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